As mãos eram pequenas, dedos curtos e bem separados entre si. Arredondados. Unhas curtas, mas bem cuidadas, dando um traço de que não era um alguem descuidado. Mas, o pouco tamanho, fazia da mão algo inseguro, com poucos dedos para o mundo. Dedos contidos de tocar e encostar. Do outro lado, mãos grandes, grossas, gastas. Comparando-se as duas, era óbvio que o dinheiro ficaria menor, na mão maior. Para a mão menor, restava simular que era dinheiro de bom tamanho.
Os olhares fugidos do primeiro, decidiram-se pelas mãos. Mas não para tocar, apenas para empurrar o dinheiro. O recebedor não queria passar aperto... mas também, só queria um pequeno aperto, porque não teve? Esta sensação de não reconhecimento. De dinheiro contado. De olhares que fogem das coisas que devem ver.
As mãos não se tocaram... apenas mãos que entregam dinheiro, para mãos que recebem dinheiro. E mesmo que não fosse um jogo, não haviam vencedores também. O que entregava, parecia se envergonhar do que entregava. O que recebia, envergonhava-se do pouco que recebera. Mesmo assim, só queria um aperto de mão sincero, para que significasse que aquele dinheiro era por ele ser ele mesmo, e não por apenas ele ocupar o lugar de outro qualquer que poderia naquela ocasião estar recebendo o mesmo consolo. Só queria ser reconhecido verdadeiramente por existir ali, por doar seu tempo ali, enfim, por trabalhar ali. Mas... era apenas mais um dia de pagamento.


Nenhum comentário:
Postar um comentário