Essa vida sempre nos pregando peças. E que peças! No sossego de casa, me chega uma correspondência (não é email não!) me fazendo um convite extremamente inusitado. Mas tudo bem... quando o jogo tá zero a zero, a gente aceita qualquer truco.
E lá fui eu! Começando mais uma estranha jornada, que adentrariam 2 meses.
Bom... segui todos os caminhos do mapa que chegou em casa e fui parar em um lugar pelo qual já passava diversas vezes, mas que nunca precisei entrar. Muitas pessoas que conheço passam horas diariamente dentro deste lugar, mas não fui lá para ver nenhuma delas... muito pelo contrário: era quando elas saíam que tudo começava.
O primeiro impacto foi instantâneo ao entrar: quase 30 mulheres... e 1 homem. Não era um harém não... muito longe disso, pois no segundo impacto: lá estava eu - o mais novo (de loooonge) dos aventureiros.
Pobreza... dificuldades... dilemas de família... dilemas da terceira idade... dilemas femininos... deficiência física... doenças. Foi isso que encontrei nos primeiros dias de jornada, entretanto o que mais me impressionou foi a baixa auto-estima. Multiplicada por 30 é um clima tão pesado que seus músculos entram em uma constante tensão! Não há vacina, nem sistema imunológico que possa resistir a isso nos primeiros dias... confesso: foi o ar mais pesado que eu já respirei. E deixo aqui uma dica... eu não estava em um hospital, nem em um velório, nem em um asilo, nem em um campo de refugiados ou presídio.
Andamos com pessoas que gostamos, conversamos com amigos que nos fazem bem, convivemos em casa com familiares que conhecemos há muitos anos... as pessoas de quem não gostamos estão ali... as vezes até falamos com elas, mas não pretendemos estreitar os laços. Ou então, aquelas pessoas que até parecem boas pessoas, mas que ao falarem, ao agirem, ao pensarem, nada combinam com você. Parece que o problema está aí.
Era um lugar estranho, repleta de pessoas estranhas de uma bolha completamente diferente da minha. Sobre o que afinal eu poderia conversar com estas pessoas, se logo de cara, elas me olhavam, e me viam como um ícone da imbecilidade e da inutilidade da juventude. Se a juventude é isso ou não... deixo com vocês, mas eu não podia aceitar aquilo, era obrigação e questão de honra provar que eu não era aquilo tudo!
Duas semanas silenciosas... eu entrava... eu saía... falava menos que o necessário. Era essa a rotina. Não tinha outra saída a não ser mapear tudo aquilo, todo aquele território e todos aqueles seres desconfiados. São desconfiados e muito! Dá medo de qualquer coisa...
Bom.. aos poucos então pude me mostrar um pouquinho e os olhares começavam a mudar, rumaram do desprezo para a desconfiança. Sim, agora eles já não pensavam mais que eu era o ser jovem iconográfico e sim "e se ele não for...". Há! Era a chance! A porta se abriu, e eu entrei e escancarei tudo, como todo jovem imbecil faria! Foi certeiro, e os imbecis acertam! A primeira barreira foi transposta... agora eu já era aceito como um membro da sociedade ali existente! A jornada, já no mês de novembro, passaria para a segunda etapa...
(continua...)
15 de dezembro de 2009
13 de outubro de 2009
Um completo charlatão da advinhação
Olhando por uma grande janela na sala de aula, a calmaria da tarde me fez pensar...
Adoramos planejar as coisas! Faz parte do nosso jeito de ser e de querer que as coisas aconteçam. Planejar é como escrever o futuro: vai acontecer! Pensando assim, penso como sou um completo charlatão nas artes da adivinhação... premonição... ou planejamento. Nem a dez, nem a cinco, nem a dois anos atrás metade das coisas que me acontecem hoje estavam dentro do planejado.
A dez anos atrás, com 13 anos, eu ainda passava pelas fases mais escuras que já tive, sem ver graça em nada, transitando entre casa e escola (a contra gosto), com aquela vontade insana de um dia ver tudo aquilo ir pelos ares... com aquele desejo louco de acordar em um lugar completamente diferente. Uma época em que ter amigos... era um dos maiores motivos de vergonha. Sim... era vergonhoso ter amigos... depender afetivamente de alguém... se mostrar vulnerável para alguém. Certo era depender apenas de mim... e me responsabilizar por tudo o que me ocorria. Para falar a verdade.. nem se quer lembro o que eu pretendia para o meu futuro naquela época, mas tinha apenas a certeza de que não gostaria de estar naquele lugar... e isso eu cumpri conforme o planejado. Que orgulho!!!
A cinco anos atrás... 18 anos. A tal maioridade! Que alegria, agora não serei mais uma criança. Deus do céu! Não se enganem,é nessa idade que o verdadeiro pardieiro começa. Era momento de transição... estava para sair do inferno (físico) e me instalar em um lugar novo, desconhecido, repleto de incógnitas. O que seria de mim? Antes de qualquer coisa, era necessário passar por um período de completa reflexão (entenda-se depressão). Dias inteiros enfurnados no quarto estudando sem motivação alguma (numa casa com uma piscina deliciosa que pouco aproveitei).
De noite vinha para o computador ou para a televisão. Horas e horas no orkut... caçando pessoas que pudessem colaborar com essa minha nova localização. E... confesso, só tenho que agradecer ao Turco que criou essa rede. Sem ele... a cadeia não teria tido início, e o futuro não existiria como é o presente hoje. A cinco anos atrás, começaram os anos de revolução! E o que eu queria para mim no futuro? X não aconteceu... Y não aconteceu... Z não aconteceu. Todas as coisas planejadas que eu tentei, ou nem puderam acontecer, ou me causaram desilusão de alguma forma. Tudo o que consegui de bom... veio de uma hora para outra, simplesmente ou aparentemente do nada, e eu apenas tive que dizer: "Tá bom... eu vou."
Há dois anos, novamente em uma outra casa, na mesma cidade, só que sem piscina. Poxa... agora que eu tenho todo o vigor de aproveitar, convidar os amigos e amigas. Pelo menos tenho uma varanda!!! Será que ainda a terei daqui há uns anos? (Hmmmm... até trocaria ela por uma piscina hahaha!!! Mas por hora gosto dela!) Pessoas e seres daquela época não vejo mais. Partiram para todo o tipo de lugar. Outros chegaram, aos montes, como num navio de imigrantes japoneses. Mas há dois anos atrás, em uma rotina de trabalho chata e desestimulante, eu provavelmente não pensava seriamente sobre o futuro, apenas ganhava o tal dinheirinho para o dia-a-dia, continuava o que já fazia, namorava... em um tipo de vida, digamos assim: "Quando eu for demitido, eu penso no que farei!" - Como se torcesse a cada dia para que isso acontecesse em algum momento... qualquer momento.
E então... aconteceu! No começo deste ano a rotina acabou! Para os que se queixam: "não aguento ficar parado!" Também não! Por isso corro... treino... toco... danço... pedalo... estudo... está ótimo assim! Sinceramente, não sinto falta alguma daquela rotina de "cidadão orgulhoso por trabalhar para pagar suas contas". Nós brasileiros adoramos frases nas quais nosso maior orgulho é pagar as contas!
Realmente essa é uma das minhas maiores desilusões: por maior orgulho que eu tenha em não dever para ninguém, a vergonha de pagar contas feito tonto é imensurável mesmo sabendo da importância de cada imposto para mim. Mas voltando, graças a todos os ocorridos, me orgulho de não servir para ter horário fixo, de não ter telefone comercial para escrever nas fichas... Mesmo imerso em diversos problemas com a falta de verba, indo parar em coisas completamente incertas (e talvez por isso mais interessantes), talvez eu sinta prazer com o medo do futuro.
Lançado a toda sorte... meu futuro só me guarda duas coisas: liberdade e morte.
20 de agosto de 2009
'Devagarções' - Verdades, Possibilidades e Vivências
Você sabe o que é a verdade?
A verdade realmente existe?
Precisamos da verdade?
Parece que estou falando de Deus.
Se você saísse da caverna, você voltaria?
Se voltasse, tentaria convencer aos outros?
E se você, que não saiu, observasse ao que saiu, retornar?
Você o mataria por achar que ele está subvertendo a ordem?
Você o seguiria? Ou simplesmente desacreditaria e permaneceria lá...
Parece até que estou falando de Platão... ou... da Matrix.
E se sua vida for uma completa ilusão?
E se ao morrer, você na verdade, está acordando?
Talvez os seus olhos nuncam tenham lhe mostrado a realidade...
Talvez o que falou, tenha ouvido de forma totalmente alterada pelos outros...
Parece até que estou falando de Inception.
A Era de Gêmeos, talvez nada tenha a ver com nossa estadia aqui.
Adão e Eva? Vai ver eram eles lá na caverna.
Era de Touro... Áries... Peixes...
Separação de mar, um cordeiro crucificado que ressuscita, uma igreja de pescadores...
Há quem diga, que quando o homem derramar a água do jarro, o homem se tornará um ser essencialmente fraternal, capaz de solucionar tudo de forma justa e igual.
Talvez seja o dilúvio... o 2012... mesmo que esse ainda esteja longe da tal Era de Aquário.
Afinal... de que adianta acreditar em A ou B? Eles não tem respostas que nos satisfaçam e em certo campo fogem principalmente das perguntas.
Existem filósofos, religiões, cientistas para defender o A, e outros potencialmente iguais para B.
Há livros importantíssimos discutindo os paradoxos do A e B e a cada um que você lê... menos respostas você tem. Mas, buscaremos sempre, é a condição humana da curiosidade e da fé - curiosidade que nos leva para a fé na ciência ou para a ciência da fé. Afinal, acreditar parece importante.
Embora eu ache que viver seja mais.
A verdade realmente existe?
Precisamos da verdade?
Parece que estou falando de Deus.
Se você saísse da caverna, você voltaria?
Se voltasse, tentaria convencer aos outros?
E se você, que não saiu, observasse ao que saiu, retornar?
Você o mataria por achar que ele está subvertendo a ordem?
Você o seguiria? Ou simplesmente desacreditaria e permaneceria lá...
Parece até que estou falando de Platão... ou... da Matrix.
E se sua vida for uma completa ilusão?
E se ao morrer, você na verdade, está acordando?
Talvez os seus olhos nuncam tenham lhe mostrado a realidade...
Talvez o que falou, tenha ouvido de forma totalmente alterada pelos outros...
Parece até que estou falando de Inception.
A Era de Gêmeos, talvez nada tenha a ver com nossa estadia aqui.
Adão e Eva? Vai ver eram eles lá na caverna.
Era de Touro... Áries... Peixes...
Separação de mar, um cordeiro crucificado que ressuscita, uma igreja de pescadores...
Há quem diga, que quando o homem derramar a água do jarro, o homem se tornará um ser essencialmente fraternal, capaz de solucionar tudo de forma justa e igual.
Talvez seja o dilúvio... o 2012... mesmo que esse ainda esteja longe da tal Era de Aquário.
Afinal... de que adianta acreditar em A ou B? Eles não tem respostas que nos satisfaçam e em certo campo fogem principalmente das perguntas.
Existem filósofos, religiões, cientistas para defender o A, e outros potencialmente iguais para B.
Há livros importantíssimos discutindo os paradoxos do A e B e a cada um que você lê... menos respostas você tem. Mas, buscaremos sempre, é a condição humana da curiosidade e da fé - curiosidade que nos leva para a fé na ciência ou para a ciência da fé. Afinal, acreditar parece importante.
Embora eu ache que viver seja mais.
12 de agosto de 2009
Uogokoro areba mizugokoro ari
Estou sempre nadando!! Procuro nadar mais pra cima, mas as vezes nado para baixo.
Acredito ser meio místico, um tanto quanto desapegado, um pisciano que provavelmente em algum outro tempo e outro lugar já viveu 11 vidas... e pareço ter chegado em minha última! Pelo que dizem, o pisciano, por ser o último signo é a última reencarnação. Portanto, fico feliz em saber que será a última, mesmo sem lembrar das 11 anteriores.

Tenho um mundo interno, cheio de fantasias em todos os planos. E quando a coisa não está boa [quase sempre], eu acho que nado para lá, e não há quem me tire. Se consigo canalizar minha intuição e sensibilidade, consigo captar o que está em volta e, com isto, sentir o ambiente, me adaptar e crescer. E creio eu, fazer a diferença. Porque quando um pisciano resolve ser brilhante, detona até o mais leãozinho mais invocado, deve ser o momento tubarão. Mas o problema é quando resolve. E se resolve... hehehe...
Sei me sacrificar pelos outros... mas também sei ser egoísta... a verdade é que não controlo nenhuma das duas coisas. Quando vejo, já fiz. (ou não fiz)
Sou da noite, e tenho tendências ao lado b ... e de coisas que destroem. Não bebo, não fumo e não me drogo... e confesso ter raiva e um preconceito enorme com as pessoas que o fazem (principalmente perto de mim). Mas sabemos que existem outras coisas que causam males semelhantes... Ou seja, tudo que traz o alívio momentâneo para as dores do dia-a-dia.
Talvez por viver na água, acredito que jamais seja possível me ver chorar. Não é possível distinguir a lágrima da água do mar, aliás, ambos são salgados.
E não sei dizer tchau. Escreveria para sempre, conversaria para sempre, treinaria para sempre, ficaria com as pessoas que gosto para sempre, fantasiaria sempre, correria pra sempre, ficaria anos sem tomar banho e quando entrasse, ficaria a mesma quantidade de anos sem sair do chuveiro. Me atrasaria para sair de casa, e obviamente para voltar.
Desejo sempre, na maior animação, nunca ir dormir... mas quando for dormir, provavelmente jamais irei querer acordar. Hmmm... deve ser porque é a última encarnação. De certa forma, me sinto aliviado.
Acredito ser meio místico, um tanto quanto desapegado, um pisciano que provavelmente em algum outro tempo e outro lugar já viveu 11 vidas... e pareço ter chegado em minha última! Pelo que dizem, o pisciano, por ser o último signo é a última reencarnação. Portanto, fico feliz em saber que será a última, mesmo sem lembrar das 11 anteriores.

Tenho um mundo interno, cheio de fantasias em todos os planos. E quando a coisa não está boa [quase sempre], eu acho que nado para lá, e não há quem me tire. Se consigo canalizar minha intuição e sensibilidade, consigo captar o que está em volta e, com isto, sentir o ambiente, me adaptar e crescer. E creio eu, fazer a diferença. Porque quando um pisciano resolve ser brilhante, detona até o mais leãozinho mais invocado, deve ser o momento tubarão. Mas o problema é quando resolve. E se resolve... hehehe...
Sei me sacrificar pelos outros... mas também sei ser egoísta... a verdade é que não controlo nenhuma das duas coisas. Quando vejo, já fiz. (ou não fiz)
Sou da noite, e tenho tendências ao lado b ... e de coisas que destroem. Não bebo, não fumo e não me drogo... e confesso ter raiva e um preconceito enorme com as pessoas que o fazem (principalmente perto de mim). Mas sabemos que existem outras coisas que causam males semelhantes... Ou seja, tudo que traz o alívio momentâneo para as dores do dia-a-dia.
Talvez por viver na água, acredito que jamais seja possível me ver chorar. Não é possível distinguir a lágrima da água do mar, aliás, ambos são salgados.
E não sei dizer tchau. Escreveria para sempre, conversaria para sempre, treinaria para sempre, ficaria com as pessoas que gosto para sempre, fantasiaria sempre, correria pra sempre, ficaria anos sem tomar banho e quando entrasse, ficaria a mesma quantidade de anos sem sair do chuveiro. Me atrasaria para sair de casa, e obviamente para voltar.
Desejo sempre, na maior animação, nunca ir dormir... mas quando for dormir, provavelmente jamais irei querer acordar. Hmmm... deve ser porque é a última encarnação. De certa forma, me sinto aliviado.
Marcadores:
eu,
peixe,
tuck,
uogokoro areba mizugokoro ari
20 de julho de 2009
Partir - Ir para outro lugar ou fragmentar-se?

3h45 da manhã... e não pude me conter. Evito isso, mas... o momento trás muita inspiração depois de 2 horas de reflexão frente a televisão.
A vida realmente é algo extremamente frágil. Pessoas vivem, e basta um acontecimento, e não vivem mais. Estão lá, estáticas, frias, acinzentadas, com aquela expressão serena que por sinal é bem diferente da serenidade de quando dormimos. Portanto, para mim, ao morrer, não estamos dormindo.
Ao se passar por situações de morte de alguem próximo, tomamos conhecimento de como as coisas realmente funcionam. Ou seja, perdemos um pouco daquele romantismo de finais felizes, ou então de que a morte é um evento desesperador, algo raro... na verdade não. A morte ocorre em número exatamente igual ao da vida. As pessoas partem, como mostra a história dos peixes que nadam contra a correnteza e morrem, peixes que cheguei a ver quando morava na cidade dos Peixes Roncadores. A piracema, é o evento dos peixes que sobem a correnteza para desovar, e resultar na vida de mais peixes.
Nadamos, nadamos, e sabemos o que nos espera, também sabemos o que espera a todos. Mas mesmo assim nadamos. E, como espectador da vida e da morte, reconheço que muito do meu ângulo de visão da vida mudou após assistir a morte do meu pai. Sim... não foi um acidente, algo que acontece inesperadamente de uma hora para outra. Foi um processo que durou meses, e talvez a verdadeira morte lhe tivera chego antes mesmo da morte que todos ali viram no último momento. Aquilo apenas foi o encerramento. Uma vida de saúde... voltada para o trabalho... e cheia de projetos. Assim era. Os projetos não se realizaram, as frustrações surgiram e veio então a hora de partir. Apesar de todas as boas lembranças (muitas) e de todas as coisas boas vividas, aprendidas e ensinadas, a morte não parece algo feliz. Nem triste. Apenas... uma partida confortável para quem vai, e dilaceradora para quem fica.
Reconheço desde pequeno que jamais senti medo de morrer, pelo contrário, a vida me mete milhões de vezes mais medo do que a morte. Mas se a incerteza do que virá atrás da porta existe... realmente... a morte se torna algo digno de desconfianças, de lágrimas, capaz de carregar uma magnitude muito além do que realmente é: uma simples passagem.
Quando alguem morre, e nos deparamos, com o corpo, em sua última imagem, realmente falta algo. Que me perdoem os atores do filme, mas, nenhuma maquiagem para mortos será capaz de lhes tirar o ânimo, aquele algo, talvez alma, que nos dá o taxativo: vivo. Nesse momento, é como se essa alma, sofresse sublimação e neste estado entrasse em todas as pessoas, causando tanta nostalgia, tanta melancolia. Algo como uma melodia de violoncelo com toques longos e suaves, como as músicas de Joe Hisaishi, Takanashi Yasuharu e tantos outros. Foram alguma das músicas que escutei no onibus, enquanto voltava para casa, para acompanhar o funeral do meu pai.
Acredito que toda pessoa, quando fatalmente tiver de encara-la, deva presenciar a morte sem desviar os olhos. Pois será assim que todo bom indivíduo deixará este mundo... independente de sua trajetória. O contato com este fenômeno nos gera reflexôes, aprendizados e vivências únicas, capazes de mudar o rumo de toda a nossa vida, de tornar importantes coisas que antes não possuiam valor algum... E que me desculpe Roberto Carlos, mas depois de tanto escrever, é incrivelmente bobo citar alguem de milênios atrás, mas: É preciso saber morrer.
Special thanks: Déborah - por me lembrar que eu tinha que ver o filme Okuribito.
8 de julho de 2009
'Devagarções' - Sexo, Arte e Política
Como nasce um novo ser humano?! Cegonha? Bom... a cegonha e o 'cegonho' felizmente só são capazes de produzir novas cegonhas. Vamos vamos.. pense! Como é que se faz!? ... suas bochechas ficaram coradas?! Estranho... porque será que assuntos como esse geram tanto desconforto!?
Penso em como deve ser o mundo dos naturistas. Pessoas que convivem em comunidades um tanto quanto afastadas da civilização padrão, vivendo de forma "natural", ou seja, como vieram ao mundo. Estão todos lá... trabalhando, se divertindo, estudando, e claro, tomando banho sempre peladões.
Esses dias um escritório inglês, para levantar a moral de sua equipe, fez com que toda sexta-feira se tornasse a Naked Friday (sexta nua), aonde todos trabalharão peladões. E parece ter dado certo para o espanto de muitos. Como será ir para o trabalho, e ao chegar, ao invés de colocar o uniforme, apenas tirar toda a roupa, e então assumir seu posto? Como homens e mulheres convivem num ambiente como este?! Ou então... qual será a visão da nudez para os naturistas!?
Sabemos que atitudes hormonalmente incorretas são passivas de punições por lá... então senhorito, reze para não encontrar nenhuma vizinha bonita ou coisa do tipo. Até mesmo, porque, neste quesito, os homens (exceção heim) levam larga desvantagem perante as mulheres, afinal, elas não tem nenhum sinal externo e evidente de que gostaram do que viram.
Será que a sociedade seria mais sincera, menos hipócrita e mais decente se todos vivêssemos peladões?! Alguns psicólogos acreditam que sim, os naturistas também, e para os gregos da Grécia Antiga, isso nem se quer deveria ser tema de debate, já que homens e mulheres atletas competiam totalmente peladões. Sim... sim... engana-se você que acha que os índios são os únicos... ou então que o biquini foi inventado para escandalizar a sociedade puritana do meio do século 20. As romanas, elas que inventaram os biquinis! Pois para elas, competir com eles era muito mais prático e 'aerodinâmico' do que sair correndo e pulando peladões...
Para todo adolescente, ver alguém pelado, já é algo que o deixa todo contente (no mau sentido), no entanto, quem nunca fica constrangido ao sonhar que foi pra escola, ou voltou pra casa - isso ocorreu comigo em sonho - peladão. Afinal, porque temos esses pudores, "naturalmente tão estranhos"? Por exemplo... todos temos bunda... homens e mulheres... todos! Mas ela ainda gera muito constrangimento por onde aparece. Aliás... aí aparece outra grande função da nudez atualmente. E nada tem a ver com erotismo!!! Mostrar-se nu, é mostrar como você verdadeiramente é. Mas também é o suficiente para você chamar a atenção de muita gente, por isso, protestos de peladas contra a matança de animais, pelados andando de bicicleta em são paulo... enfim. É o fator escandalizante. Se um dia quiser protestar contra as regras da sua escola... vá para a sala da diretoria pelado e... com certeza você será suspenso ou expulso, afinal a escola não é democrática hahahaha.
Ora ora... e tudo isso para falar de como viemos ao mundo. Sim.. isso é ambíguo. Viemos ao mundo porque papai e mamãe fizeram coisinhas na calada da noite (ou não)... aliás... você já teve a cara de pau de perguntar ao seus pais, aonde eles acham que te fabricaram?! É uma experiencia no mínimo interessante. Mas voltando... também viemos ao mundo, pelados! Mas logo botam uma roupinha legal na gente e pronto... nos deixam acostumados a isso.
E a partir deste costume, tudo que mexa com nossa sexualidade, nossa nudez, ou nossos órgãos de recursos humanos torna-se alvo de coisas eróticas, sensuais, pornográficas. Pornográfico, é literalmente o que se diz... é colocar o erótico no ambiente gráfico, ou seja, pornografia é a arte, produto, ou literatura obscena. Portanto, pais, digam aos seus filhos, quando lhe perguntarem porque não podem ver os filmes pornôs que tanto sonham em ver... "Filho, é melhor você não ver isso para não fazer arte!".
Os japoneses não concordavam muito com isso não... o Shunga por exemplo, era um estilo do Ukyo-e voltado apenas para o erotismo, e demonstrando todas as práticas comuns (e incomuns) dos japoneses quando o assunto era produção de nano-humanos. Só depois que foi meio vetado, mas isso é culpa do puritanismo ocidental. Poxa, eles estavam apenas fazendo arte! E já que estamos falando de Japão, o povo asiático é meio curioso: China, Coréia do Sul e Japão são os países que produzem e consomem mais pornografia do mundo. Ao mesmo tempo, o Japão por exemplo, é o país em que menos se faz sexo nessa década... Os homens acham que não dá pra fazer nada depois do trabalho, é muito cansaço. E as mulheres acham o sexo uma verdadeira chateação. Enquanto isso, os Gregos mandam ver... sim... aqueles que corriam peladões a milênios atrás... são os que mais fazem chuchuk.
Isto prova que, em termos estatísticos e de modo de vida... pornografia, nudez, nada tem a ver com natalidade, sexo de verdade e tal. É tudo arte mesmo! Só arte e produto... e acho que nesse campo, a arte não imita a vida (nem vice-versa).
E no Brasil heim!? Ahhh no Brasil a coisa vai que é uma beleza... é tudo tão pornô que motivo pro povo tirar a roupa não falta. Festas que nada tem a ver com isso, protestos (pois coisa errada é o que não falta)... enfim. Mas o legal mesmo, é que no Brasil, até a forma de governo é pornô!!! Sim sim... somos parte de uma Pornocracia!!! Ou seja, pornocracia é uma forma de governo influenciada, digamos, pelas mulheres da vida, os gigolôs, as cortesãs, os cafetões... e a influência destes na formação de seus filhos que hoje lá estão. Não me estranharia se no futuro tivéssemos o cafetão presidente, atriz pornô deputada, ator pornô ministro...
...que tristeza...
O quanto de nós se explica pela hipocrisia nossa de cada dia?
(***devagarções... são textos, cujos parágrafos são escritos em datas distintas, formando um texto final nem sempre muito coeso ou coerente.***)
Penso em como deve ser o mundo dos naturistas. Pessoas que convivem em comunidades um tanto quanto afastadas da civilização padrão, vivendo de forma "natural", ou seja, como vieram ao mundo. Estão todos lá... trabalhando, se divertindo, estudando, e claro, tomando banho sempre peladões.
Esses dias um escritório inglês, para levantar a moral de sua equipe, fez com que toda sexta-feira se tornasse a Naked Friday (sexta nua), aonde todos trabalharão peladões. E parece ter dado certo para o espanto de muitos. Como será ir para o trabalho, e ao chegar, ao invés de colocar o uniforme, apenas tirar toda a roupa, e então assumir seu posto? Como homens e mulheres convivem num ambiente como este?! Ou então... qual será a visão da nudez para os naturistas!?
Sabemos que atitudes hormonalmente incorretas são passivas de punições por lá... então senhorito, reze para não encontrar nenhuma vizinha bonita ou coisa do tipo. Até mesmo, porque, neste quesito, os homens (exceção heim) levam larga desvantagem perante as mulheres, afinal, elas não tem nenhum sinal externo e evidente de que gostaram do que viram.
Será que a sociedade seria mais sincera, menos hipócrita e mais decente se todos vivêssemos peladões?! Alguns psicólogos acreditam que sim, os naturistas também, e para os gregos da Grécia Antiga, isso nem se quer deveria ser tema de debate, já que homens e mulheres atletas competiam totalmente peladões. Sim... sim... engana-se você que acha que os índios são os únicos... ou então que o biquini foi inventado para escandalizar a sociedade puritana do meio do século 20. As romanas, elas que inventaram os biquinis! Pois para elas, competir com eles era muito mais prático e 'aerodinâmico' do que sair correndo e pulando peladões...
Ora ora... e tudo isso para falar de como viemos ao mundo. Sim.. isso é ambíguo. Viemos ao mundo porque papai e mamãe fizeram coisinhas na calada da noite (ou não)... aliás... você já teve a cara de pau de perguntar ao seus pais, aonde eles acham que te fabricaram?! É uma experiencia no mínimo interessante. Mas voltando... também viemos ao mundo, pelados! Mas logo botam uma roupinha legal na gente e pronto... nos deixam acostumados a isso.
E a partir deste costume, tudo que mexa com nossa sexualidade, nossa nudez, ou nossos órgãos de recursos humanos torna-se alvo de coisas eróticas, sensuais, pornográficas. Pornográfico, é literalmente o que se diz... é colocar o erótico no ambiente gráfico, ou seja, pornografia é a arte, produto, ou literatura obscena. Portanto, pais, digam aos seus filhos, quando lhe perguntarem porque não podem ver os filmes pornôs que tanto sonham em ver... "Filho, é melhor você não ver isso para não fazer arte!".
Os japoneses não concordavam muito com isso não... o Shunga por exemplo, era um estilo do Ukyo-e voltado apenas para o erotismo, e demonstrando todas as práticas comuns (e incomuns) dos japoneses quando o assunto era produção de nano-humanos. Só depois que foi meio vetado, mas isso é culpa do puritanismo ocidental. Poxa, eles estavam apenas fazendo arte! E já que estamos falando de Japão, o povo asiático é meio curioso: China, Coréia do Sul e Japão são os países que produzem e consomem mais pornografia do mundo. Ao mesmo tempo, o Japão por exemplo, é o país em que menos se faz sexo nessa década... Os homens acham que não dá pra fazer nada depois do trabalho, é muito cansaço. E as mulheres acham o sexo uma verdadeira chateação. Enquanto isso, os Gregos mandam ver... sim... aqueles que corriam peladões a milênios atrás... são os que mais fazem chuchuk.
Isto prova que, em termos estatísticos e de modo de vida... pornografia, nudez, nada tem a ver com natalidade, sexo de verdade e tal. É tudo arte mesmo! Só arte e produto... e acho que nesse campo, a arte não imita a vida (nem vice-versa).
E no Brasil heim!? Ahhh no Brasil a coisa vai que é uma beleza... é tudo tão pornô que motivo pro povo tirar a roupa não falta. Festas que nada tem a ver com isso, protestos (pois coisa errada é o que não falta)... enfim. Mas o legal mesmo, é que no Brasil, até a forma de governo é pornô!!! Sim sim... somos parte de uma Pornocracia!!! Ou seja, pornocracia é uma forma de governo influenciada, digamos, pelas mulheres da vida, os gigolôs, as cortesãs, os cafetões... e a influência destes na formação de seus filhos que hoje lá estão. Não me estranharia se no futuro tivéssemos o cafetão presidente, atriz pornô deputada, ator pornô ministro...
...que tristeza...
O quanto de nós se explica pela hipocrisia nossa de cada dia?
(***devagarções... são textos, cujos parágrafos são escritos em datas distintas, formando um texto final nem sempre muito coeso ou coerente.***)
23 de junho de 2009
Segundos que vem e vão, mas não em vão
Já era tarde, para o começo da minha tarde de segunda-feira, mas não era tão tardio a ponto de nada mais me inspirar mesmo tendo ido embora a luz do sol, que mal tinha visto naquele dia. Parado. Diante do semáforo, o dia corria, os carros de outro sentido corriam, mas eu estava parado, fazendo companhia para os que estavam ali junto de mim, naquele mesmo momento, partindo do mesmo lugar para destinos diferentes.
Meu automóvel era o quarto do grid na pequena ladeira de paralelepídedos do centro da cidade. Dois a minha frente, um ao meu lado... e embora todos parecessem voltar do cansaço, todos se encontravam ávidos pela largada que seria dada, para que tudo voltasse a seguir seu curso, seu ritmo... não há tempo para ficarmos parados. Mas afinal, para que tanta pressa? Se nem ao menos sabemos de onde viemos e para onde vamos... epa! Esses pensamentos são censurados em nossa rotina robótica de dias cinzentos.
Mesmo sendo tarde, também era cinzenta a tarde que nos encobria diante do semáforo. Carros cinzentos, construções cinzentas, asfalto cinzento... eram cinzas por todos os lados. Cinzentos e cinzentas perambulando para lá e para cá, cheios de rumo, vazios de importância entre si. Haviam outras cores. Ficávamos enrubrecidos de tanto amaldiçoarmos o vermelho incessante. Mas no instante seguido, tinhamos a recordação de que a cor que representa a esperança, é justamente o verde. Aquele mesmo!, o verde que nos devolverá para a pressa que nos impede de pensarmos, mas que diante do recesso, nos tomemos de inveja do verde alheio, desejando que ele se torne logo o mais justiceiro dos amarelos! Essa é a cor que separa os indecisos, dos seguros de si, pois são poucos os que o desafiam no tempo certo e mesmo aqueles, os seguros de si, muitas vezes por serem tão seguros, necessitam do seguro, para que sejam recompensados pelo excesso de segurança. Mas, os segundos corriam infinita, e interruptamente, assim como o redondo carmesim, tom de sol poente, que me fazia duvidar do fim de tarde. Mas tenho a certeza de que o sol havia se retirado. Era apenas o farol.
Mas minto. Abaixo do sinaleiro, uma menina, de idade da qual não faço idéia - mas era menina -, me chamou a atenção. Ela quebrou as regras do mundo cinzento, e transformou a simples ladeira de paralelepípedos em um verdadeiro grid de largada para carros mais furiosos do que velozes. Em frente a todos, desafiou a si mesma, e com movimentos circulares, tremulou tecidos em tons de azul. Não era nada majestoso, nem ela, nem o azul, nem os movimentos. O azul era desbotado e com o cinza da tarde ficava ainda mais inexpressivo. A menina, chamava mais atenção pelo modo original de se vestir do que pela própria aparência, já que parecia mais um monumento móvel tomada pelo cinza de toda tarde opaca. Os movimentos misturavam técnicas de porta-bandeira, com barman e largadeiros de corrida de automóveis (desconheço a classe profissional de quem exerce tal profissão), mas apesar de tudo, ela era capaz de executá-los de forma graciosa.
Como era possível? Como ela tinha a coragem de desafiar a toda aquela rotina, com algo a qual meus olhos não viam há muito tempo. Ela se vestia melhor do que muitos, e agia com uma coragem de poucos... mas isso não faria dela algo, talvez tão especial. Começando pelo lugar. Faixas de pedestre não são palcos. Por melhor que fosse a performance, carros não aplaudem, apenas buzinam. Transeúntes não pagam entrada e semáforo não é drive-in. E as bandeiras... o que significavam aquelas bandeiras? Com certeza a intenção dela não era a de se tornar uma vigilante do trânsito, nem muito menos, ter a suicida idéia de dar a tão almejada largada. Seria ela uma artista? Talvez sim... literalmente uma Artista de Ladeira de Paralelepípedos, uma profissão que talvez só ela tenha no mundo todo. Isso sim faria dela alguem mais especial... mas o que faria alguem especial ali? Naquela hora? Hah! Os cruéis obviamente pensariam: Quer chamar a atenção!
Chamou. Chamou mais que o semáforo. O azul não nos mandava parar, nem andar, nem estar alerta... apenas circulava sem significar nada. Ficamos atento... não sei a que, mas ficamos. A menina então talvez tenha se tornado menor que aquilo que ela significava naquele momento. Descaso, subhumanidade, criatividade, carência, capacidade, falta de oportunidade, coragem...
Então, voltei a mim novamente. Cercado de cinza, no quarto automóvel do grid da Ladeira de Paralelepípedos que São João deixou para nós... Ô São João, interceda pela sorte desta menina... pela dela, pela minha... pela de todos que aqui se encontram, parados diante de vós. Mas, não havia santo que fizesse a vida mudar, o sinal abrir e o coração tranquilizar. O pole-position tomou a iniciativa, e cedeu então o Grande Prêmio para a Menina. Não era troféu, mas talvez o metal fosse o mesmo... alumínio que reluz ouro, e que talvez valha centavos de um quilate. Através do vidro semi-aberto, as mãos não se tocaram, apenas trocaram moedas por movimentos de bandeira.
A atitude me botou em cheque. Porque eu pagaria por uma apresentação a qual não tive a escolha de assistir ou não? Não.. esse não foi o pensamento que me veio em mente, mas poderia ser. O que, na realidade, me subiu a cabeça foi o fato de admirar a coragem e desenvoltura da menina, que nada mais era, do que uma menina, como todas as outras. Poderia dar centavos para ela, que com certeza seriam mais vitais a ela do que a mim, mas que ao mesmo tempo poderiam não servir de nada. Poderia eu ser mais um do alto nível da socidade, aos quais quantias de três dígitos são meramente esmolas. Escolhi brincar de ser esse em meus pensamentos. O que eu diria para ela? O que ela diria para mim? O que ela faria com a quantia? Quando eu teria as respostas destas perguntas? Provavelmente nunca. Eu poderia então oferecer-lhe alguma oportunidade. E em histórias corriqueiras, esse seria o final feliz, mas... para um artista da rua, um trabalho convencional é nada mais nada menos que um atestado de óbito. Um cárcere. Talvez nem trabalho queira, afinal, já trabalha nas ruas... ele assim como qualquer um quer mais é o salário. E quem pagaria este? Eu.
Não... não... não.. sou contra. Isto é favorecer a exploração nas ruas, o trabalho infantil, mas ela nem era tão criança assim... mesmo menina, era mais mulher do que criança. Mas não... não posso financiar a pobreza, a falta de oportunidades e o descaso que o meu país dá a todos, mas mais para alguns. Por isso então... tenho que fingir que não vi. Tenho que estacionar o carro e descer para lhe dar uma orientação sobre a existência, e a vocação dela, além de uma aula de sócio-política para que ela entenda o porque dela estar ali e outros não. Para que ela possa tomar consciência do quão cruel é a realidade. Poderia também elogiá-la: Você maneja estas bandeiras como ninguém! Recomendarei este semáforos para amigos e conhecidos para que todos venham te ver!... Poderia ir contra meus princípios sem meios, nem fins, e apenas sacar o que tivesse no bolso e dar a ela.
Infelizmente para o mundo... o tempo que o vermelho perdura é insuficiênte para se entender a complexidade de tantas coisas, se obter tantas respostas e para tomar a decisão mais correta para o inédito momento. A então, esperança, surgiu para todos. O mundo novamente se abriu para todos aqueles que não aguentavam mais o recesso de roboticidade. O mundo se abriu para todos... menos para aquela menina. A esperança dela se encerrou quando o sol se foi... quando lhe pagaram ou não pagaram... quando todos partiram. E eu... desci ladeira abaixo, até que cruzei olhares com ela. Eu viraria para o mesmo lado em que ela se encontrava de mim... meu automóvel foi para a esquerda e meu olhar para a direita. Fugindo dela... da vida... da difícil vida... da difícil idéia de imaginar o quão difícil diversas vidas podem ser. Não decifrei o olhar dela, apenas o meu, de alguém que se envergonha de não obter uma solução eficaz para um problema secular, em porção de segundos... da vergonha do meu verde não ser o verde dela.
E então segui... e ela ficou. Ali, naquele semáforo. Aonde o neon amarelo anunciaria que em alguns instantes se iniciaria mais uma espetacular apresentação: O Show da Vida - A Bandeira e a Menina. Aberta ao público pagante, não-pagante, passante e não-passante. Última apresentação as onze da noite, quando então o semáforo se torna um pisca monocromaticamente amarelo, alternando em tom de aviso para que os carros não mais parem. O Show da Vida, voltará amanhã... na manhã de todo dia.
Meu automóvel era o quarto do grid na pequena ladeira de paralelepídedos do centro da cidade. Dois a minha frente, um ao meu lado... e embora todos parecessem voltar do cansaço, todos se encontravam ávidos pela largada que seria dada, para que tudo voltasse a seguir seu curso, seu ritmo... não há tempo para ficarmos parados. Mas afinal, para que tanta pressa? Se nem ao menos sabemos de onde viemos e para onde vamos... epa! Esses pensamentos são censurados em nossa rotina robótica de dias cinzentos.
Mesmo sendo tarde, também era cinzenta a tarde que nos encobria diante do semáforo. Carros cinzentos, construções cinzentas, asfalto cinzento... eram cinzas por todos os lados. Cinzentos e cinzentas perambulando para lá e para cá, cheios de rumo, vazios de importância entre si. Haviam outras cores. Ficávamos enrubrecidos de tanto amaldiçoarmos o vermelho incessante. Mas no instante seguido, tinhamos a recordação de que a cor que representa a esperança, é justamente o verde. Aquele mesmo!, o verde que nos devolverá para a pressa que nos impede de pensarmos, mas que diante do recesso, nos tomemos de inveja do verde alheio, desejando que ele se torne logo o mais justiceiro dos amarelos! Essa é a cor que separa os indecisos, dos seguros de si, pois são poucos os que o desafiam no tempo certo e mesmo aqueles, os seguros de si, muitas vezes por serem tão seguros, necessitam do seguro, para que sejam recompensados pelo excesso de segurança. Mas, os segundos corriam infinita, e interruptamente, assim como o redondo carmesim, tom de sol poente, que me fazia duvidar do fim de tarde. Mas tenho a certeza de que o sol havia se retirado. Era apenas o farol.
Mas minto. Abaixo do sinaleiro, uma menina, de idade da qual não faço idéia - mas era menina -, me chamou a atenção. Ela quebrou as regras do mundo cinzento, e transformou a simples ladeira de paralelepípedos em um verdadeiro grid de largada para carros mais furiosos do que velozes. Em frente a todos, desafiou a si mesma, e com movimentos circulares, tremulou tecidos em tons de azul. Não era nada majestoso, nem ela, nem o azul, nem os movimentos. O azul era desbotado e com o cinza da tarde ficava ainda mais inexpressivo. A menina, chamava mais atenção pelo modo original de se vestir do que pela própria aparência, já que parecia mais um monumento móvel tomada pelo cinza de toda tarde opaca. Os movimentos misturavam técnicas de porta-bandeira, com barman e largadeiros de corrida de automóveis (desconheço a classe profissional de quem exerce tal profissão), mas apesar de tudo, ela era capaz de executá-los de forma graciosa.
Como era possível? Como ela tinha a coragem de desafiar a toda aquela rotina, com algo a qual meus olhos não viam há muito tempo. Ela se vestia melhor do que muitos, e agia com uma coragem de poucos... mas isso não faria dela algo, talvez tão especial. Começando pelo lugar. Faixas de pedestre não são palcos. Por melhor que fosse a performance, carros não aplaudem, apenas buzinam. Transeúntes não pagam entrada e semáforo não é drive-in. E as bandeiras... o que significavam aquelas bandeiras? Com certeza a intenção dela não era a de se tornar uma vigilante do trânsito, nem muito menos, ter a suicida idéia de dar a tão almejada largada. Seria ela uma artista? Talvez sim... literalmente uma Artista de Ladeira de Paralelepípedos, uma profissão que talvez só ela tenha no mundo todo. Isso sim faria dela alguem mais especial... mas o que faria alguem especial ali? Naquela hora? Hah! Os cruéis obviamente pensariam: Quer chamar a atenção!
Chamou. Chamou mais que o semáforo. O azul não nos mandava parar, nem andar, nem estar alerta... apenas circulava sem significar nada. Ficamos atento... não sei a que, mas ficamos. A menina então talvez tenha se tornado menor que aquilo que ela significava naquele momento. Descaso, subhumanidade, criatividade, carência, capacidade, falta de oportunidade, coragem...
Então, voltei a mim novamente. Cercado de cinza, no quarto automóvel do grid da Ladeira de Paralelepípedos que São João deixou para nós... Ô São João, interceda pela sorte desta menina... pela dela, pela minha... pela de todos que aqui se encontram, parados diante de vós. Mas, não havia santo que fizesse a vida mudar, o sinal abrir e o coração tranquilizar. O pole-position tomou a iniciativa, e cedeu então o Grande Prêmio para a Menina. Não era troféu, mas talvez o metal fosse o mesmo... alumínio que reluz ouro, e que talvez valha centavos de um quilate. Através do vidro semi-aberto, as mãos não se tocaram, apenas trocaram moedas por movimentos de bandeira.
A atitude me botou em cheque. Porque eu pagaria por uma apresentação a qual não tive a escolha de assistir ou não? Não.. esse não foi o pensamento que me veio em mente, mas poderia ser. O que, na realidade, me subiu a cabeça foi o fato de admirar a coragem e desenvoltura da menina, que nada mais era, do que uma menina, como todas as outras. Poderia dar centavos para ela, que com certeza seriam mais vitais a ela do que a mim, mas que ao mesmo tempo poderiam não servir de nada. Poderia eu ser mais um do alto nível da socidade, aos quais quantias de três dígitos são meramente esmolas. Escolhi brincar de ser esse em meus pensamentos. O que eu diria para ela? O que ela diria para mim? O que ela faria com a quantia? Quando eu teria as respostas destas perguntas? Provavelmente nunca. Eu poderia então oferecer-lhe alguma oportunidade. E em histórias corriqueiras, esse seria o final feliz, mas... para um artista da rua, um trabalho convencional é nada mais nada menos que um atestado de óbito. Um cárcere. Talvez nem trabalho queira, afinal, já trabalha nas ruas... ele assim como qualquer um quer mais é o salário. E quem pagaria este? Eu.
Não... não... não.. sou contra. Isto é favorecer a exploração nas ruas, o trabalho infantil, mas ela nem era tão criança assim... mesmo menina, era mais mulher do que criança. Mas não... não posso financiar a pobreza, a falta de oportunidades e o descaso que o meu país dá a todos, mas mais para alguns. Por isso então... tenho que fingir que não vi. Tenho que estacionar o carro e descer para lhe dar uma orientação sobre a existência, e a vocação dela, além de uma aula de sócio-política para que ela entenda o porque dela estar ali e outros não. Para que ela possa tomar consciência do quão cruel é a realidade. Poderia também elogiá-la: Você maneja estas bandeiras como ninguém! Recomendarei este semáforos para amigos e conhecidos para que todos venham te ver!... Poderia ir contra meus princípios sem meios, nem fins, e apenas sacar o que tivesse no bolso e dar a ela.
Infelizmente para o mundo... o tempo que o vermelho perdura é insuficiênte para se entender a complexidade de tantas coisas, se obter tantas respostas e para tomar a decisão mais correta para o inédito momento. A então, esperança, surgiu para todos. O mundo novamente se abriu para todos aqueles que não aguentavam mais o recesso de roboticidade. O mundo se abriu para todos... menos para aquela menina. A esperança dela se encerrou quando o sol se foi... quando lhe pagaram ou não pagaram... quando todos partiram. E eu... desci ladeira abaixo, até que cruzei olhares com ela. Eu viraria para o mesmo lado em que ela se encontrava de mim... meu automóvel foi para a esquerda e meu olhar para a direita. Fugindo dela... da vida... da difícil vida... da difícil idéia de imaginar o quão difícil diversas vidas podem ser. Não decifrei o olhar dela, apenas o meu, de alguém que se envergonha de não obter uma solução eficaz para um problema secular, em porção de segundos... da vergonha do meu verde não ser o verde dela.
E então segui... e ela ficou. Ali, naquele semáforo. Aonde o neon amarelo anunciaria que em alguns instantes se iniciaria mais uma espetacular apresentação: O Show da Vida - A Bandeira e a Menina. Aberta ao público pagante, não-pagante, passante e não-passante. Última apresentação as onze da noite, quando então o semáforo se torna um pisca monocromaticamente amarelo, alternando em tom de aviso para que os carros não mais parem. O Show da Vida, voltará amanhã... na manhã de todo dia.
6 de fevereiro de 2009
Inútil melodia
Faz tanto tempo que não escrevo.
Na verdade creio que descobri um meio de encenar como se fosse uma madrugada, como é, como se houvesse mais alguém, qualquer um, como se estivessemos conversando, como estou. Não é solidão. É uma vontade de dividir com alguem o mundo. O momento exato. Não o depois, não o antes.... o agora. Não há tristeza.. nem alegria... há imensidão e contemplação. Mas contemplar sozinho, parece demais. É como sentir sozinho todas as alegrias do mundo, todas as tristezas do mundo. Preciso de qualquer coisa, que me faça dividir isso em tantas partes quanto eu possa ser.
Se a noite cai, e as pessoas dormem, parece que eu sempre estou lá. Esperando algo... esperando o dia para poder esperar novamente. Se a conversa surge... não importa o assunto, a importância, a ignorância... será bom. Será tão bom como ficar sozinho, no silêncio. O infeliz é querer um quando se tem o outro.
Tocar o violão enquanto o sol se aproxima, deixar que o vento leve todas as cordas e acordes sem relevância, toda a melodia feita para ir embora, para deixar embalar no vento, no ouvido daqueles que dormem, ao menor volume possível, mas não mudo. Imperceptível, mas não inexistente. Assim eu me sinto. Assim eu quero ser. Assim esperarei não ter sido.
Talvez seja como o som no silêncio. Não o som quebrando o silêncio como gostaria de ser, mas sim o som do silêncio, integrante dele, tão paradoxal como ser o feliz e o infeliz ao mesmo tempo, pelos mesmos motivos, pelas mesmas realizações e faltas.
Se as notas vão, espero que toquem em quem tocar. Mas que sem remetente cheguem aos seus destinos. Quero a todos, e que todos não lembrem de mim... quero ser esquecido para ser lembrado, e lembrado para jamais ser esquecido. Pois tenho a certeza, que mesmo sem a memoria, mesmo sem a vida, mesmo sem absolutamente tudo, lembrarei de cada um, de cada momento, de cada palavra... de cada pedacinho que me compôs.
Na verdade creio que descobri um meio de encenar como se fosse uma madrugada, como é, como se houvesse mais alguém, qualquer um, como se estivessemos conversando, como estou. Não é solidão. É uma vontade de dividir com alguem o mundo. O momento exato. Não o depois, não o antes.... o agora. Não há tristeza.. nem alegria... há imensidão e contemplação. Mas contemplar sozinho, parece demais. É como sentir sozinho todas as alegrias do mundo, todas as tristezas do mundo. Preciso de qualquer coisa, que me faça dividir isso em tantas partes quanto eu possa ser.
Se a noite cai, e as pessoas dormem, parece que eu sempre estou lá. Esperando algo... esperando o dia para poder esperar novamente. Se a conversa surge... não importa o assunto, a importância, a ignorância... será bom. Será tão bom como ficar sozinho, no silêncio. O infeliz é querer um quando se tem o outro.
Tocar o violão enquanto o sol se aproxima, deixar que o vento leve todas as cordas e acordes sem relevância, toda a melodia feita para ir embora, para deixar embalar no vento, no ouvido daqueles que dormem, ao menor volume possível, mas não mudo. Imperceptível, mas não inexistente. Assim eu me sinto. Assim eu quero ser. Assim esperarei não ter sido.
Se as notas vão, espero que toquem em quem tocar. Mas que sem remetente cheguem aos seus destinos. Quero a todos, e que todos não lembrem de mim... quero ser esquecido para ser lembrado, e lembrado para jamais ser esquecido. Pois tenho a certeza, que mesmo sem a memoria, mesmo sem a vida, mesmo sem absolutamente tudo, lembrarei de cada um, de cada momento, de cada palavra... de cada pedacinho que me compôs.
Assinar:
Postagens (Atom)

