13 de outubro de 2009

Um completo charlatão da advinhação


Olhando por uma grande janela na sala de aula, a calmaria da tarde me fez pensar...

Adoramos planejar as coisas! Faz parte do nosso jeito de ser e de querer que as coisas aconteçam. Planejar é como escrever o futuro: vai acontecer! Pensando assim, penso como sou um completo charlatão nas artes da adivinhação... premonição... ou planejamento. Nem a dez, nem a cinco, nem a dois anos atrás metade das coisas que me acontecem hoje estavam dentro do planejado.

A dez anos atrás, com 13 anos, eu ainda passava pelas fases mais escuras que já tive, sem ver graça em nada, transitando entre casa e escola (a contra gosto), com aquela vontade insana de um dia ver tudo aquilo ir pelos ares... com aquele desejo louco de acordar em um lugar completamente diferente. Uma época em que ter amigos... era um dos maiores motivos de vergonha. Sim... era vergonhoso ter amigos... depender afetivamente de alguém... se mostrar vulnerável para alguém. Certo era depender apenas de mim... e me responsabilizar por tudo o que me ocorria. Para falar a verdade.. nem se quer lembro o que eu pretendia para o meu futuro naquela época, mas tinha apenas a certeza de que não gostaria de estar naquele lugar... e isso eu cumpri conforme o planejado. Que orgulho!!!

A cinco anos atrás... 18 anos. A tal maioridade! Que alegria, agora não serei mais uma criança. Deus do céu! Não se enganem,é nessa idade que o verdadeiro pardieiro começa. Era momento de transição... estava para sair do inferno (físico) e me instalar em um lugar novo, desconhecido, repleto de incógnitas. O que seria de mim? Antes de qualquer coisa, era necessário passar por um período de completa reflexão (entenda-se depressão). Dias inteiros enfurnados no quarto estudando sem motivação alguma (numa casa com uma piscina deliciosa que pouco aproveitei).

De noite vinha para o computador ou para a televisão. Horas e horas no orkut... caçando pessoas que pudessem colaborar com essa minha nova localização. E... confesso, só tenho que agradecer ao Turco que criou essa rede. Sem ele... a cadeia não teria tido início, e o futuro não existiria como é o presente hoje. A cinco anos atrás, começaram os anos de revolução! E o que eu queria para mim no futuro? X não aconteceu... Y não aconteceu... Z não aconteceu. Todas as coisas planejadas que eu tentei, ou nem puderam acontecer, ou me causaram desilusão de alguma forma. Tudo o que consegui de bom... veio de uma hora para outra, simplesmente ou aparentemente do nada, e eu apenas tive que dizer: "Tá bom... eu vou."

Há dois anos, novamente em uma outra casa, na mesma cidade, só que sem piscina. Poxa... agora que eu tenho todo o vigor de aproveitar, convidar os amigos e amigas. Pelo menos tenho uma varanda!!! Será que ainda a terei daqui há uns anos? (Hmmmm... até trocaria ela por uma piscina hahaha!!! Mas por hora gosto dela!) Pessoas e seres daquela época não vejo mais. Partiram para todo o tipo de lugar. Outros chegaram, aos montes, como num navio de imigrantes japoneses. Mas há dois anos atrás, em uma rotina de trabalho chata e desestimulante, eu provavelmente não pensava seriamente sobre o futuro, apenas ganhava o tal dinheirinho para o dia-a-dia, continuava o que já fazia, namorava... em um tipo de vida, digamos assim: "Quando eu for demitido, eu penso no que farei!" - Como se torcesse a cada dia para que isso acontecesse em algum momento... qualquer momento.

E então... aconteceu! No começo deste ano a rotina acabou! Para os que se queixam: "não aguento ficar parado!" Também não! Por isso corro... treino... toco... danço... pedalo... estudo... está ótimo assim! Sinceramente, não sinto falta alguma daquela rotina de "cidadão orgulhoso por trabalhar para pagar suas contas". Nós brasileiros adoramos frases nas quais nosso maior orgulho é pagar as contas!

Realmente essa é uma das minhas maiores desilusões: por maior orgulho que eu tenha em não dever para ninguém, a vergonha de pagar contas feito tonto é imensurável mesmo sabendo da importância de cada imposto para mim. Mas voltando, graças a todos os ocorridos, me orgulho de não servir para ter horário fixo, de não ter telefone comercial para escrever nas fichas... Mesmo imerso em diversos problemas com a falta de verba, indo parar em coisas completamente incertas (e talvez por isso mais interessantes), talvez eu sinta prazer com o medo do futuro.

Lançado a toda sorte... meu futuro só me guarda duas coisas: liberdade e morte.

Um comentário:

One Day disse...

Sim, o futuro nunca se sabe... ~^
Meu futuro só me aguarda duas coisas: vida e morte.

Bjoos