17 de março de 2010

Continuação: não se esquecer do que é ser humano. [2]

Um reality show as vezes parece surgir em nossas vidas e situações tão semelhantes àquelas surgem, que você começa até a olhar para os lados para ver se não está sendo observado por outros. Mesmo sem fazer nada demais.

As oportunidades foram surgindo, e alguns aventureiros já não mais estavam por ali. Uma destas, em certo momento levou seu filho para lá, uma criança de 8 anos bem serelepe, mas saudável. Sentado ao meu lado, começou a fazer perguntas, a se interessar pela figura mais estranha no meio daqueles todos. Me lembro que, dentre os seus relatos, havia um em que ele havia quase ficado preso na porta do metrô, que a porta até machucava, mas era como se fosse só de brincadeirinha.

Dentre as oportunidades que surgiram, em algumas, somente eu me arriscava a algo, todos eram desconfiados demais, e eu estava isento desta sensação, apesar da tensão, me sentia a vontade, e a jovem a frente naquele momento, sentia isso e tentava passar aos outros a importância em não morrermos sem antes dizermos nossas últimas palavras. É o velho: arrisque! E não morra calado!

Alguns começaram a aceitar esta minha condição, outros já não. Aumentaram suas reservas e olhares e a juventude passou a ser vista como arrogância. O momento em que mais senti isso, foi em um relato que fiz sobre a importância de sabermos o que queremos ser. Por exemplo, muitas pessoas estão preocupadas em ter um emprego, mas não em SER um escritor, um médico, uma secretária ou qualquer outra coisa... o ter um emprego, garantirá o ter dinheiro, o que te dará direito a ter o que comer e a ter o que fazer quando bem entender, inclusive, a ter a incrível oportunidade de pagar seus impostos, para que ninguém mande na sua vida (todo brasileiro adora dizer isso!). Mas, isso não garante você a SER alguém. Ser, está muito distante de ter. Afinal, pobres e ricos podem ser. O ser é democrático e acessível a todos.

Este relato, botou em cheque a vida e os anos passados por muitos ali, e como me relataram, soou como uma ficha que cai. E isso nem sempre é bom. A coisa toda se seguiu, os aventureiros persistiram e todos saímos como vencedores... cada qual com novas armas para o futuro. Mas poucos me pareceram preocupados com o que serão. Os seres humanos necessitam ser!

Necessitam ser biologicamente, psicologicamente, socialmente, espiritualmente... humanos. E sabemos, que segundo a Antropologia, o ser só se torna humano rente a outro.

E isso significa muito. Independente do que fazemos, do que temos, do que pretendemos, o importante na verdade é o que somos. E ser, é algo mutável. É a vida da qual Guimarães Rosa diz ser mutável, afinal, somos criaturas que viemos ao mundo intermináveis. E que provavelmente sairemos do palco... intermináveis também. E foi como entrei e saí desta aventura... interminável, porem, diferente, maior, mais confiante... e mais preocupado em jamais me esquecer do que é ser humano.

Por hora pretendo manter o post-it na janela do dia-a-dia.

3 comentários:

One Day disse...

"O ser è democràtico e acessível a todos". Genial!!
Eu concordo plenamente em tudo que você disse. E eu espero que eu mude muito ainda. Vejo mais graça nisso.

Grande abraço,

Debs

One Day disse...

c tem que me falar que doidera é essa q vc se meteu. Isso eu não consegui adivinhar. Algum tp de AA?

Tück'nTück disse...

Não.. não era o AA rsss. Aliás, eu nem teria o que fazer lá, já que tomo alcool uma vez por ano e olhe lah... Sidra da mais barata!

Estou em débito com esse blog... as boas idéias me vem, e nao ando anotando... =/...

bjoks Deh